VOCÊ CONHECE O NEP?
O NEP - Núcleo de Estudos da Prostituição
foi o primeiro grupo organizado para trabalhar com mulheres profissionais
do sexo no RS. Surgiu em 1989 da necessidade de enfrentamento de
dois grandes problemas ligados à prostituição
na época: violência policial e grande estigma em relação
à Aids, em decorrência não só dos casos
realmente notificados de infecção pelo HIV entre mulheres
prostitutas, como também por desinformação
e desconhecimento social acerca da doença.
Aliando o combate à violência policial com atividades
informativo-preventivas de DST/HIV/Aids, o trabalho do NEP foi se
estruturando, principalmente a partir do I Encontro Municipal de
prostitutas, realizado em Porto Alegre em 1989, voltado quase que
exclusivamente às denúncias de violência e bárbaras
agressões sofridas pelas prostitutas por parte das forças
de segurança pública.
A certeza de que a Aids por si só não constituía
um problema, senão mais um dentre todos os outros enfrentados
pelas profissionais do sexo, o NEP firmou a base de seu trabalho
em três princípios básicos: saúde, cidadania
e auto-estima.
Formando parcerias com as secretarias de saúde do Estado
e do Município, foi possível criar e manter uma rede
de atendimento e espaços permanentes para esclarecimentos
de dúvidas, realização de exames de rotina
e específicos, bem como a testagem consciente para o HIV.
Exercitando junto às profissionais do sexo a consciência
dos direitos de cidadania e da não criminalidade no fato
do exercício da prostituição como profissão,
alcançou-se grandes transformações no comportamento
inclusive social em relação às mulheres profissionais
do sexo.
Com reuniões sistemáticas, oficinas específicas
de saúde e direitos, palestras informativas, e posteriormente
com o advento do Projeto "Mulher no Ponto", o NEP cresceu
e permanece em crescimento constante, a partir de uma aposta e investimento
nas próprias mulheres para serem sujeitas de sua situação
social, profissional, familiar e de gênero.
Tem entre seus apoiadores o programa Missão Urbana e Rural
- MUR - ligado ao Conselho Mundial de Igrejas, que tem como objetivo
básico o apoio ao desenvolvimento de trabalhos com populações
excluídas e marginalizadas na sociedade, visando ampliar
e melhorar sua qualidade de vida e seus direitos, a partir de uma
perspectiva cidadã e igualitária.
Conta atualmente com uma equipe de voluntários qualificada
e atuante, ampliando suas frentes de trabalho e abrindo novas atividades
a partir da demanda criada pelas mulheres. Estará desenvolvendo
no ano 2000 a continuidade do projeto "Mulher no Ponto",
e mais dois projetos: "Assessoria Institucional", voltado
para outros grupos e ONGs, capacitando equipes de outros municípios
para o trabalho com profissionais do sexo e o projeto "Mulher
Cidadã", em parceria com a Igreja Luterana, para integrar
mulheres profissionais do sexo em suas comunidades de origem.
O NEP obteve reconhecimento ainda mais formal em 1999, ano de seus
dez anos de fundação, com a outorgação
do Prêmio Direitos Humanos no RS, pela contribuição
na defesa dos direitos humanos ao longo de sua história.
Este Prêmio, concedido anualmente pela UNESCO, Conselho Britânico,
Fundação Maurício Sirotsky Sobrinho e Assembléia
Legislativa do RS é a prova de que o trabalho desenvolvido
pela Instituição está no caminho certo, e que
os esforços devem apenas ser continuados e ampliados, tendo
clareza de princípios, honestidade na execução
das atividades e estreita relação de confiança
e referência com a população alvo.
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