|
PROSTITUIÇÃO:
MITOS E CONQUISTAS
Tida como a "profissão mais antiga do mundo", a
prostituição está inserida no contexto de todas
as sociedades, ocidentais e orientais desde os tempos mais remotos.
Odiadas, amadas, necessárias, regulamentadas por alguns governos,
controlada por outros e seus serviços de saúde, resgatadas
por religiões par uma vida digna, perseguidas ou glamourizadas
em belas cenas no cinema americano, as prostitutas atravessam os
séculos exercendo sua profissão, passando por cima
de preconceitos, discriminações, violências
e agressões que partem de todos os lados.
Com o advento da Aids nos anos 80, a ira social contra as prostitutas
renasceu com força total, e ao lado dos homossexuais masculinos
e usuários de drogas, elas foram transformadas em responsáveis
pelo alastramento da doença, e por propagar o vírus
HIV indiscriminadamente entre os homens que buscavam o "prazer
pago".
Na Europa, os usuários de drogas; nos Estados Unidos, os
homens gays; no resto do mundo, e principalmente nos países
mais pobres, as prostitutas: rápido como surgiram os primeiros
casos, encontrou-se mundo afora os "culpados" pelo que
viria a ser uma epidemia.
Ao invés de buscar esclarecer estas populações
sobre os riscos existentes para todos de um modo geral, as campanhas
foram no caminho inverso, alertando as pessoas normais sobre os
perigos de andar com "grupos de risco", que teoricamente
seriam os únicos a contrair o HIV. Assim, durante muito tempo
se acreditou que a população heterossexual, monogâmica
e "normal" fosse imune à Aids.
Na contramão das verdades espalhadas pelo mundo, estes mesmos
"grupos de risco" iniciaram um movimento na tentativa
de unir esforços e virar o jogo, formando seus próprios
grupos organizados, associações e posteriormente organizações
não governamentais, para discutir suas próprias realidades
e problemas, e principalmente, encontrar saídas para conter
o avanço da Aids e da violência, que aumentou consideravelmente
depois da doença.
À medida em que o conhecimento social e científico
ia crescendo, e o entendimento que se tinha sobre Aids aumentava,
os grupos de mulheres profissionais do sexo, homossexuais e depois
usuários de drogas tornaram-se os mais atuantes, lutadores
e decididos a mudarem o quadro mundial sobre a epidemia de Aids,
criando campanhas, programas, fazendo manifestações
e protestos sobre a forma discriminatória como foram tratados
no início da história da Aids.
Muito rapidamente, as estatísticas começaram a dar
conta de que estes grupos, longe de ser "de risco", são
os menos atingidos pela epidemia, graças também a
terem sido tão culpados e discriminados anos atrás.
Assim, o que vemos atualmente são grupos cada vez mais conscientes
e auto organizados, buscando seus próprios caminhos para
novas relações sociais, em todos os níveis.
Muitos dos mitos acerca da prostituição permanecem
e vão permanecer até o fim dos tempos, mas as conquistas
adquiridas não tem preço, e estão em crescimento
constante, seja com projetos, encontros, novos grupos que surgem,
e políticas específicas voltadas para estas populações.
|